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Eleições do CAU: a arquitetura acima das disputas partidárias

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As eleições do Conselho de Arquitetura e Urbanismo se aproximam. Em 5 de novembro, arquitetos e urbanistas de todo o país escolherão os conselheiros que irão compor os plenários do CAU/BR e dos CAU/UF para o mandato de 2027 a 2029. A votação será realizada exclusivamente pela internet.

É uma eleição importante. E justamente por isso merece ser tratada com maturidade.

O CAU não é um partido político. É uma autarquia de direito público criada pela Lei nº 12.378/2010, com a função de orientar, disciplinar e fiscalizar o exercício da Arquitetura e Urbanismo, zelar pela ética profissional e contribuir para o aperfeiçoamento da profissão.

Isso não significa que o Conselho deva ser indiferente às questões políticas que envolvem cidades, habitação, mobilidade, patrimônio, meio ambiente ou desenvolvimento urbano. Ao contrário. Arquitetura e Urbanismo têm uma dimensão pública e social incontornável.

Mas há uma diferença fundamental entre debater políticas públicas e transformar uma eleição profissional em extensão da disputa político-partidária nacional.

O profissional que vota no CAU deveria poder analisar propostas relacionadas à fiscalização, valorização profissional, formação, ética, honorários, tecnologia, atendimento, gestão e participação institucional. Esses são alguns dos temas diretamente relacionados às atribuições dos Conselhos e ao cotidiano da profissão.

A escolha de uma chapa não deveria depender de sua proximidade com este ou aquele partido, de uma disputa ideológica nacional ou da reprodução, dentro da categoria, das mesmas polarizações que já ocupam diariamente as redes sociais.

O que está em jogo é a representação de uma profissão.

Por isso, talvez seja hora de recuperar uma palavra que deveria estar no centro de qualquer processo eleitoral: proposta.

Quem se candidata precisa apresentar o que pretende fazer. Quem vota precisa conhecer essas propostas. E o debate entre profissionais deve ser capaz de confrontar ideias, experiências, prioridades e compromissos sem transformar adversários profissionais em adversários políticos.

O CAU pertence à Arquitetura e ao Urbanismo. Pertence a profissionais com diferentes visões de mundo, trajetórias e convicções. Essa diversidade é legítima e faz parte da própria categoria.

Que as eleições de 2026 sejam, portanto, uma oportunidade para discutir o futuro da profissão com liberdade, respeito e responsabilidade.

Que as diferenças permaneçam no campo das ideias e que a escolha seja feita a partir daquilo que realmente estará sob responsabilidade dos eleitos.

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