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O mercado imobiliário, diante de um novo mapa de riscos

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A enchente de 2024 alterou mais do que a paisagem urbana do Rio Grande do Sul. Ela expôs a vulnerabilidade de áreas consolidadas e introduziu uma variável que tende a ganhar peso crescente no planejamento urbano, na arquitetura e na avaliação imobiliária: o risco climático.

Dos 497 municípios gaúchos, 478 foram afetados pelo evento, que atingiu aproximadamente 2,4 milhões de pessoas. Estudos de atribuição indicaram que as mudanças climáticas aumentaram significativamente a probabilidade de ocorrência de chuvas extremas semelhantes. O dado mais relevante, porém, talvez esteja nas consequências que permanecem depois que as águas baixam.

O mercado imobiliário começou a incorporar o risco à formação de preços.

Imóveis localizados em áreas inundadas passaram a enfrentar maior resistência de compradores e locatários, enquanto regiões não atingidas — especialmente aquelas com maior cota altimétrica e infraestrutura consolidada — passaram a concentrar parte dessa demanda.

 

Levantamentos do Secovi-RS identificaram movimentos distintos de preços entre bairros atingidos e não atingidos.

Isso representa uma mudança importante no conceito de localização.

Tradicionalmente, fatores como mobilidade, infraestrutura, serviços, segurança e qualidade urbana determinavam boa parte do valor de um imóvel. Agora, a exposição a eventos climáticos extremos começa a integrar essa equação.

O fenômeno pode produzir uma espécie de reprecificação territorial: a demanda migra, determinados bairros ganham pressão sobre preços e aluguéis, enquanto outros enfrentam redução de liquidez e valor percebido.

Mas existe uma consequência social que não pode ser ignorada. Se a segurança climática se transformar em atributo imobiliário, áreas menos vulneráveis tendem a se valorizar. O acesso a esses territórios, portanto, pode se tornar progressivamente mais restrito às famílias com maior capacidade financeira.

É nesse ponto que arquitetura e urbanismo precisam avançar além da resposta emergencial.

Resiliência climática precisa começar no planejamento.

Isso significa incorporar, desde a definição do empreendimento, variáveis como cota altimétrica, mapas de inundação, capacidade de drenagem, permeabilidade do solo, arborização, orientação solar, ventilação, proteção térmica, infraestrutura crítica e estratégias de continuidade operacional após eventos extremos.

Também significa rever a própria lógica de ocupação do território. Não basta tornar um edifício mais resistente quando sua implantação ocorre em uma área estruturalmente vulnerável.

A adaptação, portanto, não pode ser tratada apenas como uma característica construtiva. Ela precisa ser considerada uma estratégia urbana e econômica.

E existe uma questão fundamental para o mercado: quanto custa adaptar e quanto custa não adaptar?

O primeiro valor pode ser calculado em projeto e orçamento. O segundo envolve perda patrimonial, interrupção de atividades, reconstrução de infraestrutura, aumento de seguros, redução de liquidez e eventual desvalorização imobiliária.

A enchente de 2024 mostrou que o risco climático pode deixar de ser uma projeção técnica e transformar-se rapidamente em variável econômica.

O desafio agora é incorporar essa realidade antes que o próximo evento extremo nos obrigue novamente a fazê-lo.

O clima já começou a redesenhar nossas cidades. A arquitetura precisa decidir se continuará apenas reagindo a esse desenho ou se será capaz de antecipá-lo.

Eventos extremos já influenciam preços, demanda e decisões de ocupação urbana.

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[ESPECIAL] Neuroarquitetura para mentes criativas

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Desde os primeiros abrigos humanos, a ideia de habitar sempre esteve ligada não apenas à sobrevivência, mas também à construção de identidade, memória e pertencimento. No artigo de autoria da arquiteta e urbanista Miriam Runge, desenvolvido para o projeto Neuroarquitetura para Mentes Criativas, o morar é apresentado como uma experiência que vai além do abrigo físico, conectando espaço, emoção e cultura ao longo da história humana.


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