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Confira o que o mercado projeta para a construção civil e como isso deve impactar a arquitetura em 2026

  • Foto do escritor: Redação Portal Escala Humana
    Redação Portal Escala Humana
  • 26 de jan.
  • 4 min de leitura

Em 2025, a arquitetura brasileira sofreu altos e baixos. Depois de um 2024 com avanço expressivo, o setor da construção civil desacelerou mais do que o mercado previa. Pesquisas recentes sobre a indústria, divulgadas pelo Sinduscon-SP e pela CNI, revelam que devemos encerrar este ciclo com modestos 1,8% de crescimento do PIB do setor. Mas é o momento de olhar para o futuro e tentar entender o que vem pela frente e o que os profissionais precisam fazer para se manterem relevantes e competitivos no mercado.


O ano de 2026 tende a ser um ponto de inflexão para a construção civil. E essa virada tem implicações diretas, profundas e estratégicas para a arquitetura e o papel do arquiteto dentro da cadeia produtiva. O Portal Escala Humana debate o assunto no artigo a seguir.

Acompanhe!


Imagem de starline em Freepik
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Como a arquitetura sustentará o crescimento do setor 


Antes de tirar conclusões sobre o desempenho da construção civil, é necessário entender como esse setor funciona. Geralmente, ele acelera e desacelera, mas é pouco provável que entre em estado de crise. Por certo, a maior preocupação que se tem hoje no mercado é com a escassez de mão de obra qualificada, sobretudo quanto a engenheiros formados e experientes. Diante desse panorama, podemos adiantar que um dos maiores gargalos projetados para 2026 não é financeiro, mas humano.


Com menos jovens interessados em trabalhar na construção civil, somado ao problema do envelhecimento da força de trabalho (com média de 40 a 41 anos), teremos um limite real de crescimento do setor nos próximos anos. Diante desse cenário, onde se precisa aumentar a produtividade, a arquitetura passa a ser vista como parte da solução. Isso porque o arquiteto domina bem a execução de projetos compatibilizados com processos coordenados e racionalização construtiva. Ele sabe tomar decisões técnicas antecipadas e se preocupa com a integração entre disciplinas e esse é um enorme diferencial competitivo.


Agora, para acompanhar o ritmo do mercado, em 2026, a arquitetura de vanguarda será aquela que abraça a industrialização. Estamos falando de se explorar mais sistemas construtivos que reduzem a dependência de mão de obra intensiva no canteiro, como steel frame, wood frame e modulação.



O ajuste de ritmo que redefinirá prioridades na construção civil


Ao longo do ano de 2025, o setor da construção civil precisou revisar várias vezes o seu desempenho por conta da manutenção da taxa Selic, que permaneceu em patamares elevados (15% ao ano), impactando severamente o crédito imobiliário. Mesmo assim, entidades como o Sinduscon-SP concluíram que não houve recessão. Especialmente para a arquitetura, não houve ruptura de mercado, mas sim um reajuste de ritmo, que seleciona projetos mais viáveis, mais eficientes e mais alinhados às novas condições econômicas. 


Até aqui, o que vemos é o capital travando decisões empresariais e o encarecimento do financiamento, sobretudo para a classe média. Mas a promessa para 2026 é de juros menores, o que deve reaquecer o setor, aumentando o número de novos contratos de construções e reformas de médio e alto padrão, beneficiando muitos arquitetos. Por ora, o que se projeta é um crescimento de 2,8% para a construção civil, superando, inclusive, a projeção do PIB nacional. Resumindo, a esperança é de que haja uma retomada na confiança dos clientes.


É importante destacar que pode haver uma expansão de vendas de imóveis em 2026. Essa demanda deve vir especialmente de programas para habitação de interesse social, reformas, retrofits e requalificação habitacional. Sendo assim, o profissional que souber dialogar com o urbanismo e a moradia popular terá um volume de trabalho mais favorável.



Por que escritórios de arquitetura precisarão repensar gestão e estratégia


2026 também será o ano da transição tributária. Essa reforma trará uma camada de complexidade na gestão de custos de obras e na precificação de serviços em arquitetura. Empresas de construção precisarão operar com ajustes contábeis e administrativos. A equipe responsável pelos orçamentos deverá ter mais rigor para evitar que as flutuações de preços corroam a margem de lucro dos clientes. Inclusive, a informalidade deve perder espaço perante clientes mais atentos a contratos, prazos, escopo e previsibilidade.

Sendo assim, a profissionalização da gestão, da precificação e da entrega de projetos deixa de ser opcional e passa a ser condição de sobrevivência.



 Imagem de mindandi em Freepik
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Onde arquitetos encontrarão oportunidades reais


Existe uma expectativa para que haja investimentos recordes em infraestrutura em 2026  a estimativa é de 300 bilhões de reais. Claro que nem todos esses projetos devem demandar arquitetura, mas eles podem gerar efeitos indiretos para a arquitetura, como o desenvolvimento urbano, a valorização imobiliária e a necessidade por equipamentos públicos, habitação e serviços para os eixos de crescimento. 


Basicamente podemos concluir que onde há infraestrutura, há cidades sendo redesenhadas; e onde há cidade, há demanda por planejamento, projeto e visão espacial qualificada.


Nesse contexto, os arquitetos podem explorar as oportunidades de experimentação estética e tecnológica que surgirem. O mercado de imóveis de alto padrão do segmento premium, acima de 5 milhões de reais, deve continuar aquecido em 2026, sobretudo no estado de São Paulo. Em contrapartida, nesses casos, o nível de exigência dos clientes em relação à sustentabilidade e eficiência operacional dos edifícios será maior.


Imagem de Freepik
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O que o novo ciclo da construção exigirá dos arquitetos


O futuro da construção civil brasileira virá acompanhado de novos desafios. Arquitetos passarão a lidar com menos improviso e com uma cobrança crescente por desempenho. E o mercado tende a se tornar mais seletivo, técnico e estratégico, enquanto a indústria como um todo caminha para uma atuação mais enxuta, digital e produtiva. 


Projetar bem continuará sendo essencial, mas não suficiente. Arquitetos, engenheiros e empreiteiros precisarão dialogar melhor com dados econômicos, antecipar restrições e propor soluções que façam sentido dentro de um contexto real. É provável que não voltemos a ter um mundo de crédito fácil e mão de obra abundante. Por isso, cada decisão deverá ser tomada com consciência dos juros e da viabilidade financeira. 


A boa notícia é que os investimentos em construção civil estão, sim, aumentando nesta virada de 2025 para 2026. A pergunta que fica para você é se sua empresa de arquitetura está preparada para o ritmo de produtividade que vem pela frente.




Fontes:

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