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Projeto em bambu premiado da UFLA convida arquitetos a repensarem a habitação social

  • Foto do escritor: Redação Portal Escala Humana
    Redação Portal Escala Humana
  • há 3 dias
  • 4 min de leitura

O Portal Escala Humana tem uma notícia interessante para compartilhar com você. No final de 2025, estudantes da Universidade Federal de Lavras (UFLA), em Minas Gerais, conquistaram o segundo lugar na 6ª Jornada ABENC de Trabalhos Técnicos Acadêmicos de Engenharia Civil Paulo Salomão, durante o 30º Congresso Brasileiro de Engenheiros Civis (CBENC), com o modelo de projeto de habitação social pré-moldada em bambu.


Decidimos compartilhar essa história pois ela pode ser uma grande fonte de inspiração para os arquitetos que desejam ajudar o Rio Grande do Sul nesse período de reconstrução, após as enchentes de 2024 e 2025. Também é um exemplo para aqueles arquitetos que desejam oferecer aos seus clientes alternativas de estruturas e vedações com foco em agilidade e sustentabilidade.



Imagem reproduzida de UFLA 
Imagem reproduzida de UFLA 


A indicação dos estudantes da UFLA


Atualmente, o Brasil e o mundo passam por uma grave crise climática. Nesse contexto, muitas vezes o concreto e o aço falham em oferecer respostas ágeis e sustentáveis. Uma das propostas da engenharia e da arquitetura é resgatar soluções milenares sob uma nova perspectiva técnica — uma mudança de paradigma. Foi isso o que fizeram Las Cunha Ferreira e Gabriel Carmo Silva dos Santos, ex-membros do Núcleo de Estudos em Materiais e Técnicas Não Convencionais na Construção Civil (NEMATENC-UFLA).



 Imagem reproduzida de UFLA
 Imagem reproduzida de UFLA

Os estudantes testaram ideias para vedação e estrutura em bambu para habitação social em cenários de calamidade. Nesse processo, eles provaram que o bambu não deve ser encarado apenas como um elemento decorativo ou material de pobre. Afinal, a ciência já provou muitas vezes que este material é o “aço-verde” da construção civil, superando outros materiais em relevância para reconstruções rápidas. E se a necessidade faz a ocasião, torna-se inevitável rever nossos conceitos.



 Imagem reproduzida de UFLA
 Imagem reproduzida de UFLA


 Imagem reproduzida de UFLA
 Imagem reproduzida de UFLA

A saber, o trabalho em questão foi premiado em cerimônia realizada no auditório Master da UniRitter, Campus Zona Sul, em Porto Alegre, com promoção da Associação Brasileira de Engenheiros Civis (ABENC) e patrocínio do Sindicato dos Engenheiros do Rio Grande do Sul (Senge-RS). O mesmo foi intitulado como “Habitação social pré-moldada em bambu de vedação e estrutural para atender a calamidade no Estado do Rio Grande do Sul”. Ele contou com a orientação dos professores André Corrêa e Celina Llerena.



A proposta de pré-moldagem e agilidade na reconstrução


O projeto apresentado na Jornada ABENC detalha um modelo de habitação (para construção em massa, replicável por comunidades afetadas) que seria montada rapidamente em campo com peças de bambu. Os painéis modulares se encaixariam como um LEGO gigante — até aí, nada demais. O diferencial estaria na resistência sísmica e na flexibilidade inerentes ao material.


Sistemas similares a esse protótipo em estudos correlatos mostram que habitações sociais de bambu podem ser, sim, replicadas por moradores em poucos dias sob supervisão técnica.

Vale destacar que a investigação dos estudantes de Lavras focou no tratamento adequado e na preservação das peças de bambu, garantindo que, se protegidas da umidade e de ataques biológicos (insetos e fungos), possam durar décadas (mais de 50 anos).



Vantagens do uso do bambu na Arquitetura 


  • Viabilidade técnica para projetos contemporâneos, para uma arquitetura mais leve, natural e escalável, contrastando com a rigidez do concreto.

  • Ciclo de renovação do bambu de 3 a 5 anos, muito inferior ao do eucalipto ou outras madeiras, reduzindo drasticamente a pressão sobre os recursos naturais.

  • Contribuição para a regeneração de solos, preservação contra erosão e retenção hídrica, ajudando na mitigação de desastres naturais.

  • Redução em até 50% nas emissões de CO2 na construção baseada em sistemas como engineered bahareque, além de sequestrar carbono durante o crescimento.

  • Peças com alta resistência à tração, compressão e flexibilidade, comparáveis ao aço em diversas aplicações estruturais.

  • Material abundante no Brasil e de fácil manuseio, permitindo a construção com mão de obra comunitária — redução de custos entre 30% e 50% em relação à alvenaria.

  • Painéis trançados com argamassa funcionam como isolantes térmicos, reduzindo o consumo energético, especialmente em climas subtropicais.



Da calamidade a inovação no Rio Grande do Sul


Neste momento, os arquitetos gaúchos, além da responsabilidade de auxiliar nossa população com conhecimento e técnica, têm a oportunidade de testar ideias e inovar em seus portfólios. Ideias como as do NEMATENC-UFLA, da Colômbia (com bahareque nos códigos técnicos), das Filipinas (com Cement Bamboo Frame) e tantos outros, podem servir de referência e fomentar a pesquisa em bioconstrução no estado.



Imagem reproduzida de Agência MG
Imagem reproduzida de Agência MG

Quem sabe um dia o Rio Grande do Sul, com todo o seu histórico de inundações, pode adotar módulos pré-moldados de bambu para acelerar a reconstrução de áreas afetadas. Essa solução de engenharia e arquitetura pode integrar-se a políticas de habitação sustentável. Outra hipótese é integrar o bambu com materiais como madeira, tijolos e concreto, permitindo a criação de casas que não apenas resistem a eventos climáticos extremos, mas que também oferecem conforto térmico e dignidade social.


O caminho para o futuro da arquitetura deve passar pela revalorização consciente e técnica das fibras naturais. Pense nisso.


Fontes:


Imagem de capa:

Imagem reproduzida de Agência MG


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