top of page

Por que arquitetos que ignoram a arborização estão condenando suas próprias cidades

  • Foto do escritor: Redação Portal Escala Humana
    Redação Portal Escala Humana
  • 17 de jan.
  • 4 min de leitura

A capital do Rio Grande do Sul, Porto Alegre, tem passado por uma drástica transformação na sua paisagem urbana. Em decorrência de eventos recentes — como ciclones, tempestades, a histórica enchente de 2024 e a intensa especulação imobiliária — diversas áreas verdes foram degradadas ou simplesmente eliminadas. Soma-se a isso a preocupação com a manutenção da rede elétrica, marcada por podas de árvores amplamente questionadas quanto à preservação das espécies. E sabemos que a arborização é uma infraestrutura verde estratégica.


Não estamos falando de árvores como meros adereços paisagísticos, mas como elementos essenciais num contexto de planejamento urbano contemporâneo. A arborização contribui para a transformação de microclimas, reduz custos operacionais, eleva a qualidade de vida e ainda protege áreas habitadas contra eventos climáticos extremos. Ou seja, quanto mais áreas verdes uma cidade preserva, mais saudável, eficiente e resiliente ela se torna diante das mudanças climáticas. Ignorar essa realidade é um equívoco difícil de justificar.



Por que integrar a arborização ao planejamento arquitetônico


A ideia de “plantar árvores” é frequentemente subestimada em muitos projetos de engenharia e arquitetura. Acontece que o item “árvores” deveria constar no planejamento do mesmo modo como outros itens, a exemplo de pavimentos, rede elétrica, encanamentos e mobiliário. A diferença é que, enquanto quase todos os equipamentos urbanos se depreciam, uma árvore se valoriza com o tempo e entrega benefícios crescentes.



Imagem de Luna A em Unsplash
Imagem de Luna A em Unsplash


Arborização urbana também é uma ciência aplicada, com impactos diretos sobre ecologia, mobilidade, paisagem, drenagem, conforto térmico, qualidade do ar, biodiversidade e saúde pública. Então não se trata para os designers apenas de uma decisão estética, mas de desempenho urbano com requalificação ambiental e inovação sustentável. Em outras palavras, é uma responsabilidade projetual!


A decisão de usar a arborização como ferramenta para amenizar condições adversas deveria ser lógica. Principalmente se considerarmos que vivemos hoje em um mundo onde as cidades sofrem cada vez mais com o efeito das ilhas de calor devido à expansão das áreas impermeáveis.


Os impactos da arborização nos projetos urbanos 


É claro que a arborização urbana interfere diretamente no desenvolvimento de projetos especiais nas cidades. Por um lado, as árvores desempenham funções essenciais - elas absorvem dióxido de carbono, filtram substâncias atmosféricas, reduzem a poluição sonora e criam áreas de sombra, impedindo o agravamento do efeito estufa em escala local. Além disso, tornam as cidades mais resilientes, capazes de enfrentar eventos climáticos extremos, como ondas de calor e até… enchentes.


Não por acaso, os projetos de urbanismo mais avançados — alinhados à agenda global de sustentabilidade e mitigação de riscos ambientais — integram a arborização como elemento.


Imagem de Fons Heijnsbroek em Unsplash
Imagem de Fons Heijnsbroek em Unsplash


Agora, é importante considerar o outro lado dessa equação. O plantio inadequado — espécies incorretas em locais impróprios — pode causar danos às redes elétricas, calçadas, vias e até edificações. Por isso, na hora da escolha das espécies, deve-se considerar fatores como porte, resistência, formato da copa e comportamento das raízes.



Arborização urbana exige inventário florestal, diagnóstico territorial e seleção de espécies apropriadas.



Para que o projeto urbano seja seguro, funcional e ofereça qualidade ambiental e social, além de valor estético e imobiliário, os arquitetos precisam trabalhar em parceria com outros especialistas, como biólogos, a fim de tomar decisões embasadas.



As possíveis consequências de arborizar sem planejamento são:


  • Conflitos nas fiações;

  • Danos nas calçadas;

  • Problemas de acessibilidade;

  • Árvores doentes por manejo inadequado;

  • Risco de queda;

  • Sombreamento incorreto;

  • Obstrução de sinalização;

  • E custos elevados de manutenção.



Infraestrutura verde como ferramenta para reorganizar cidades


O manejo correto da arborização, com podas regulares e monitoramento, transforma espaços públicos em verdadeiros corredores ecológicos e áreas de convivência que favorecem o bem-estar da população.  Se o arquiteto tiver domínio desse conhecimento, saberá como determinar nos planos diretores a melhor integração de ruas, praças, parques, taludes, avenidas, margens de rios, vias de pedestres, estacionamentos e lotes. Isso porque a arborização, quando bem planejada, atua como extensão da própria arquitetura, inclusive enriquecendo identidade visual e organizando fluxos humanos.


Aliás, a arborização adequada é capaz de romper com a monotonia da paisagem e criar marcos visuais. Mais do que isso, ela pode compor a paleta sensorial com sombras, cores, texturas e mudanças sazonais. Os corredores ecológicos conectam habitats e realizam a proteção da biodiversidade urbana. Por fim, contribuem para a infiltração, retenção de água e redução da erosão, tornando-se defesa natural contra alagamentos e enxurradas  o que seria particularmente favorável em cenários de eventos como os ocorridos em Porto Alegre.



Imagem de Andy Wang em Unsplash
Imagem de Andy Wang em Unsplash

O compromisso dos arquitetos com o futuro da cidade 


São os arquitetos que devem liderar essa agenda de transformação em Porto Alegre e em tantas outras cidades brasileiras. Isso porque essa tarefa demanda competências como leitura espacial, compreensão de fluxos, compatibilização com redes, visão de escala urbana, sensibilidade paisagística, capacidade de síntese técnica e domínio das normas. Esses profissionais têm condições plenas de projetar os passos urbanos que dialoguem com a natureza e promovam resiliência climática. São eles que deveriam protagonizar a criação de ambientes mais saudáveis, funcionais e seguros para as próximas gerações.


Por isso, gestor político, se você deseja uma cidade com mais qualidade de vida, desenvolvimento econômico, atratividade e capacidade real de enfrentar as mudanças climáticas, invista no conhecimento e na expertise dos arquitetos.



Imagem de Andy Wang em Unsplash
Imagem de Andy Wang em Unsplash


Fontes:


Imagem de capa:

Imagem de Andy Wangem de Unsplash


 
 
 

Comentários

Avaliado com 0 de 5 estrelas.
Ainda sem avaliações

Adicione uma avaliação
bottom of page