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O Arroio Dilúvio vai virar parque ou promessa? Porto-alegrenses opinam sobre a revitalização do canal

  • Foto do escritor: Redação Portal Escala Humana
    Redação Portal Escala Humana
  • 6 de fev.
  • 4 min de leitura

O Arroio Dilúvio sempre foi um tipo de ferida aberta no coração do tecido urbano de Porto Alegre. Esse canal de drenagem precisa urgentemente de um trabalho de revitalização, pois seu impacto é hoje negativo na paisagem da cidade. Há tempos se fala que o cenário em breve irá mudar, mas nunca temos a data definitiva do início desse novo capítulo. Quando a capital do Rio Grande do Sul terá sua merecida transformação urbana? E será que a população gaúcha – e especialmente os profissionais de arquitetura – será devidamente ouvida durante esse processo?


O que o Portal Escala Humana noticia neste artigo é que, em 28 de janeiro, a Secretaria Municipal do Meio Ambiente, Urbanismo e Sustentabilidade (SMAMUS) abriu uma audiência pública para debater o tema “Operação Urbana Consorciada (OUC) Nova Ipiranga”. O que está em jogo é, além da limpeza, uma reestruturação profunda que envolve desde o licenciamento ambiental até a criação de um novo marco regulatório para a região.


Imagem de Capeleto1987 em Wikipédia - httpspt.wikipedia.orgwikiFicheiroDiluvio_Passarela.png
Imagem de Capeleto1987 em Wikipédia - httpspt.wikipedia.orgwikiFicheiroDiluvio_Passarela.png

Os planos da Prefeitura de Porto Alegre para o Arroio Dilúvio

A Prefeitura de Porto Alegre vem trabalhando há anos com ideias para resgatar o arroio degradado. Em princípio, a intenção é implantar um parque linear para lazer, mobilidade e biodiversidade — e isso pode impactar bastante o skyline da cidade, já que deve mexer com um eixo vital da sua malha urbana. Segundo gestores do governo atual, a abertura dessa audiência é uma tentativa de legitimar tal projeto via participação popular. Um meio de escuta ativa da sociedade antes do envio da proposta à Câmara Municipal.


Os porto-alegrenses vão poder opinar, por exemplo, sobre questões como viabilidade de despoluição, o traçado do parque, impactos na drenagem e estímulos a atividades econômicas. Mas os arquitetos querem mais: influenciar na proposta para que haja mais Soluções baseadas na Natureza (SbN) — pensando principalmente que o canal possa ajudar mais a mitigar cheias. Em contrapartida, existem especuladores imobiliários que lutam pelo aumento da densidade construtiva no local. E você, quem acha que vai ganhar esse cabo de guerra? Impacto ambiental versus valorização imobiliária.

O que está em jogo na ONC Nova Ipiranga


  • Despoluição do arroio.

  • Implantação do parque linear ao longo da Avenida Ipiranga (10 km de intervenções).

  • Revisão dos parâmetros urbanísticos, com estímulo ao uso do “solo criado” para financiar infraestrutura pública.

  • Adoção de soluções ambientais, como biovaletas e jardins de chuva, além de fitorremediação (jardins flutuantes e plantas macrófitas) para tratar águas residuais e a implementação de estratégias de traffic calming para devolver a escala humana a vias dominadas pelo automóvel.

  • Uso de investimentos privados e obtenção de recursos públicos (BNDES/Fundo Clima).

A inspiração encontrada na COP30 em Belém


Recentemente, o prefeito de Porto Alegre esteve em Belém, no Pará, para acompanhar a COP30. Na ocasião, ele conheceu o Parque Linear da Doca, um projeto assinado pelo escritório ‘Natureza Urbana’ e executado ao longo do antigo Igarapé das Almas, hoje um canal artificializado no canteiro central da Avenida Visconde de Souza Franco.


É possível que esse case de sucesso sirva de inspiração para os trabalhos em Porto Alegre, com foco em transformar a área do Arroio Dilúvio em um parque linear vivo, seguro e integrado à cidade.

 Imagem divulgação de projeto, reprodução de Natureza Urbana
 Imagem divulgação de projeto, reprodução de Natureza Urbana

Imagem divulgação de projeto, reprodução de Natureza Urbana 
Imagem divulgação de projeto, reprodução de Natureza Urbana 
Imagem divulgação de projeto, reprodução de Natureza Urbana 
Imagem divulgação de projeto, reprodução de Natureza Urbana 

O parque paraense tem 24 mil m² e se estende ao longo de 1,2 km. Sua obra custou cerca de R$ 310 milhões, mas proporcionou uma excelente requalificação da área — que conta hoje com ciclovias, passarelas elevadas, iluminação em LED, paisagismo e arborização, além de equipamentos de lazer, esporte e convivência. 



 Imagem diagrama reprodução de ArchDaily
 Imagem diagrama reprodução de ArchDaily

Lições de arquitetura


O Parque Linear da Doca realmente chama atenção por sua estética. Mas nossa análise de arquitetura precisa ir além, precisa ser mais crítica. Pense assim, onde antes havia um igarapé reduzido a canal funcional, cercado por vias voltadas ao automóvel, sem espaços públicos qualificados, hoje é esse belo paisagismo. O canal é agora uma infraestrutura ecológica, resiliente, que engloba soluções hidráulicas, ambientais e urbanas em um único sistema. A água é o elemento estruturador do território.

A arquitetura que Porto Alegre precisa é uma arquitetura de regeneração!


 Imagem meramente ilustrativa, reprodução de SMAMUS, divulgação PMPA, via Porto Alegre 24 horas
 Imagem meramente ilustrativa, reprodução de SMAMUS, divulgação PMPA, via Porto Alegre 24 horas


Os desafios que Porto Alegre precisa enfrentar


O Projeto do Parque Linear da Doca, em Belém, é um excelente modelo a ser seguido por Porto Alegre. Contudo, a capital gaúcha precisa encontrar a sua própria fórmula urbana, que pare de priorizar os carros e fragmentar o espaço público e passe a recuperar ecossistemas naturais. A cidade precisa se reconciliar com a natureza imediatamente. Plantar mais árvores e arbustos, aumentar a biodiversidade, melhorar seus canais e drenagens, criar jardins e filtros de poluentes. Assim, milhares de pessoas e animais serão beneficiados.



Afinal, como está a identidade paisagística de Porto Alegre? Reflita sobre isto!


Está mais do que na hora de os porto-alegrenses seguirem em frente, rumo a uma vida com mais qualidade ambiental e social. Regeneração é factível e é rentável! E com o apoio dos arquitetos, a prefeitura poderá detalhar um projeto mais eficiente, abordando melhor temas como seção hidráulica, biodiversidade, microclima, permeabilidade ativa e memória do território.


Este é um momento de teste de maturidade governamental. E é nossa obrigação fiscalizar se as diretrizes de desenho urbano sustentável serão mesmo mantidas ou se o projeto do Arroio Dilúvio sucumbirá apenas à lógica especulativa do mercado imobiliário sem o devido contrapeso ambiental.





Fontes:


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