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O que está acontecendo em Capão da Canoa e por que isso muda a arquitetura no RS

  • Foto do escritor: Redação Portal Escala Humana
    Redação Portal Escala Humana
  • 10 de jul.
  • 5 min de leitura

Quando falamos em moradias inteligentes (smart living), muitos arquitetos ainda associam o conceito apenas à automação residencial clássica — com sensores, iluminação conectada, fechaduras digitais e controle por aplicativos. Porém, os novos empreendimentos construídos hoje em Capão da Canoa, no Litoral Norte do Rio Grande do Sul, vão muito além disso. Trata-se de um novo modelo de arquitetura residencial que integra espaço físico, serviços, tecnologia, gestão e experiência do usuário em um único ecossistema. Confira mais detalhes no artigo a seguir, do Portal Escala Humana!



Imagem meramente ilustrativa gerada em IA de Google Gemini
Imagem meramente ilustrativa gerada em IA de Google Gemini

O que são moradias inteligentes?

Neste momento, está sendo desenvolvido um projeto em parceria entre o Grupo Pessi e a Housi. O novo empreendimento, Markho Health Care, com conceito de smart living, promete mudar o modo de pensar habitação no Rio Grande do Sul. 



Maquete do projeto Markho Health Care - Imagem divulgação Grupo Pessi via Jornal do Comércio
Maquete do projeto Markho Health Care - Imagem divulgação Grupo Pessi via Jornal do Comércio

Seu projeto arquitetônico nasce preparado para a gestão digital do uso, com aplicativos que centralizam desde o check-in até a preparação de serviços de manutenção e locação de áreas de uso comuns. O edifício deve funcionar como uma plataforma conectada, flexível, orientada a dados e pensada tanto para moradia quanto para investimentos comerciais. Serão 184 apartamentos de 20,77 m² a 84 m², cuidadosamente detalhados pelo Studio Ronaldo Rezende.


Os arquitetos precisam ficar atentos a esse novo tipo de moradia inteligente. Os profissionais que dominarem esse conceito poderão se juntar aos líderes dessa revolução no mercado.

Moradias inteligentes integram hardware, software e serviços em um modelo híbrido físico-digital, onde o usuário controla tudo via aplicativo. Essa arquitetura geralmente é dividida entre áreas comuns (como academia e piscina) e áreas especiais (como pet place e coworking). Serviços como de concierge fazem parte de um sistema de fluxos otimizados. Além disso, são oferecidas funcionalidades que vão além do luxo, incluindo gestão de locação das unidades, serviços pay per use, aluguel de veículos, lavanderia, mercado autônomo grab and go, e muito mais.


Maquete do projeto Markho Health Care - Imagem divulgação Grupo Pessi via Zero Hora
Maquete do projeto Markho Health Care - Imagem divulgação Grupo Pessi via Zero Hora


Maquete do projeto Markho Health Care - Imagem divulgação Grupo Pessi via Jornal do Comércio
Maquete do projeto Markho Health Care - Imagem divulgação Grupo Pessi via Jornal do Comércio


A saber, o Markho Health Care, de Capão da Canoa, deve se destacar por sua conectividade com saúde o prédio será ligado diretamente ao primeiro hospital de média e alta complexidade da região, shopping mall, torre corporativa e garagem com 699 vagas. 



Como produzir uma arquitetura de moradia inteligente?


Pode-se dizer que as moradias inteligentes são o futuro da arquitetura residencial. Seu projeto é estratégico e exige muito mais do que soluções pontuais. Ele nasce de decisões integradas, onde espaço, tecnologia e operação são pensados como um único sistema desde o primeiro croqui. 



Planta como sistema integrado

Primeiro, é preciso repensar a forma de desenhar a planta baixa, pois ela deve integrar arquitetura com tecnologia, operações, gestão condominial e excelência do usuário. Deve-se priorizar conexões verticais e horizontais, acessos indiretos a usos mistos e fluxos claros entre unidades e áreas comuns. Inclusive, vale utilizar BIM para simular fluxos de usuários, dados, manutenção e uso dos espaços ao longo do tempo, além de GIS para mapear demandas urbanas, vocação do entorno e potencial de rentabilidade.



Tipologias flexíveis e híbridas

As tipologias projetadas precisam ser adaptáveis a multifusos (moradia, esporte e trabalho) com layouts otimizados e infraestrutura preparada para mudanças rápidas. 



Interiores modulares e conectados

Os interiores modulares precisam ser combinados com infraestrutura digital e integração via APIs para plataformas de gestão e serviços.



Imagem meramente ilustrativa gerada em IA de Google Gemini
Imagem meramente ilustrativa gerada em IA de Google Gemini

Áreas comuns como extensão da moradia

Áreas como de coworking, lounges, lavanderias, mercados autônomos, academias e rooftops não podem funcionar como complemento, sendo tratadas como extensão das unidades.



Infraestrutura tecnológica desde a origem

O projeto arquitetônico também deve prever, desde o estudo preliminar, a incorporação de infraestrutura tecnológica - como internet das coisas (IoT), automação predial, cabeamento, redes e integração com aplicativos - evitando adaptações improvisadas em fases posteriores. Soluções passivas e ativas - ventilação natural, painéis solares e materiais de baixo carbono - somente alinhados às normas técnicas.



Validação por simulação e prototipagem

No fim, pode-se validar o projeto com protótipos de realidade virtual (VR) e simulações de uso real, incluindo serviços digitais e áreas compartilhadas.



Por que clientes buscam moradias inteligentes no litoral norte gaúcho?


Segundo uma pesquisa recente divulgada pela Fortune Business Insights, é previsto para 2026 um crescimento expressivo no mercado de smart living. Ao mesmo tempo, a população de Capão da Canoa cresceu 50% nos últimos 10 anos — com aumento notável logo no período pós-pandemia. Só no Litoral Norte do estado, são 23 municípios com cerca de 1 milhão de habitantes. Isso tem atraído investidores para ativos rentáveis na região, incluindo soluções de Airbnb e outras modalidades para estadias curtas e longas.


Se mais pessoas passarem a morar no litoral gaúcho, quer dizer que haverá uma necessidade de crescimento também em infraestrutura. Já se fala na construção de novos hospitais e postos de saúde. Profissionais liberais  como médicos, advogados e dentistas  podem migrar para torres corporativas integradas, enquanto moradores e turistas desfrutam do lazer premium a metros do mar. 



Beira da praia de Capão da Canoa - Imagem de Lilo2013 em Wikipédia - httpspt.wikipedia.orgwikiFicheiroCap%C3%A3o_da_Canoa.JPG
Beira da praia de Capão da Canoa - Imagem de Lilo2013 em Wikipédia - httpspt.wikipedia.orgwikiFicheiroCap%C3%A3o_da_Canoa.JPG

Esse movimento, marcado pela valorização urbana, pelo surgimento de complexos multiusos e por uma mudança clara no estilo de vida dos clientes, pode abrir uma janela de oportunidades para os arquitetos. O protagonismo passa a ser dos projetos capazes de monetizar imóveis, com Return on Investment (ROI) acelerado. O Markho é um exemplo: pioneiro, vendeu 65% já no seu pré-lançamento. Em meio a esse avanço, permanece indispensável o cuidado com a preservação ambiental e o equilíbrio com o território.


Lembrando que Capão da Canoa, diferente de outros centros urbanos, possui um solo arenoso que demanda fundações paliativas inovadoras, ventos marinhos que inspiram ventilação passiva, e o turismo sazonal que clama por multifuncionalidade.



Como esses projetos impactam o trabalho dos arquitetos?


Como já dissemos, moradias inteligentes redefinem a prática da arquitetura residencial  um impacto profundo e inevitável. É preciso deixar de lado tudo o que é genérico, abrir espaço para o design paramétrico, abraçar novos conceitos, como de rooftops adaptáveis, e explorar ao máximo as simulações 3D eficientes. Os escritórios são forçados a migrar de vez para o BIM. E os arquitetos são obrigados a ampliar seu repertório, entender de plataformas digitais, novos modelos de negócios e comportamentos do usuário. Qualquer inovação proposta deixa de ser por estética e passa a ser por estratégia.

Claro que não é fácil largar essa lógica do “projeto-obra-entrega”. O lado positivo é que a arquitetura gaúcha está sendo pressionada ao olhar mais longe e entender os edifícios como organismos vivos após a conclusão. Os projetistas passam a imaginar as obras pensando no seu ciclo de vida, na operação e na experiência contínua do usuário. Essa é uma mudança brusca de paradigmas autorais. Em contrapartida, é uma nova oportunidade de atuação.


Investimentos em empreendimentos como o Markho Health Care podem abrir espaço para que os arquitetos gaúchos atuem com consultoria em produtos imobiliários, desenvolvimento de tipologias inteligentes, retrofit de edifícios existentes, entre outras frentes estratégicas.



Quais os rumos da arquitetura no Rio Grande do Sul?


As moradias inteligentes de Capão da Canoa não são um fenômeno isolado. Ela sinalizam o futuro próximo para a habitação no Rio Grande do Sul, especialmente em cidades médias com forte apelo turístico e crescimento urbano acelerado. Para os arquitetos gaúchos, entender esse movimento não é opcional. É uma chance de reposicionar a arquitetura como agente central da inovação imobiliária, conectando projeto, tecnologia, cidade e pessoas.



Fontes:


Imagem de capa:

Imagem meramente ilustrativa gerada em IA de Google Gemini


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