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Ondas de calor elevam riscos à saúde e produtividade na construção civil

  • Foto do escritor: Redação Portal Escala Humana
    Redação Portal Escala Humana
  • 15 de dez. de 2025
  • 4 min de leitura

No ano de 2024, foram registradas oito ondas de calor no Brasil, com temperaturas em torno de 5 graus Celsius acima da média normal. Em cidades do centro-oeste, os termômetros registraram até 42 graus. A situação se agravou com condições ambientais como a baixa umidade, que em algumas épocas chegou a 21% — um índice muito inferior ao recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Infelizmente, não se trata de uma situação excepcional, mas uma realidade recorrente em tempos de mudanças climáticas.


A crise climática tem impactado o trabalho de milhões de profissionais. Mas, imagine realizar a concretagem de uma laje, pavimentar uma estrada ou revestir um telhado em dias de temperaturas extremas. Estamos falando não apenas de um risco à saúde dos trabalhadores, mas também de uma ameaça direta à produtividade, ao cronograma e à segurança nos canteiros de obras.



Imagem de zinkevych em Freepik
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O que são ondas de calor e por que elas têm aumentado


Ondas de calor são períodos prolongados de temperaturas muito elevadas, quase sempre acompanhadas por baixa umidade relativa do ar. Sua origem pode ser atribuída a diversos fatores, como, por exemplo:


  • Intensificação do aquecimento global, por consequência direta da emissão de gases de efeito estufa; 

  • Urbanização acelerada e pouca arborização, que geram 'ilhas de calor' — áreas em que as superfícies impermeáveis absorvem e irradiam calor. 

  • Aumento do desmatamento no planeta, ou seja, perda de cobertura vegetal, que reduz a capacidade de resfriamento natural dos ambientes.



Todos esses fatores se somam e tornam os canteiros de obras, geralmente expostos, com pouca sombra e muitas superfícies de concreto, locais ainda mais suscetíveis ao calor extremo. 


Os impactos das ondas de calor na construção civil 


A situação é mesmo preocupante! Um relatório recente apresentado pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) aponta que mais de 2,4 bilhões de trabalhadores ao redor do globo estão expostos a riscos relacionados ao calor extremo. O resultado são quase 23 milhões de lesões e cerca de 19.000 mortes por ano no mundo. E o setor da construção civil está entre os mais afetados, principalmente devido à exposição direta ao sol, esforço físico intenso e uso obrigatório de equipamentos de proteção. 


Na prática, a cada 1 grau Celsius acima de 20 graus Celsius tem-se uma perda de produtividade nas obras na casa de 2% a 3%, comprometendo os prazos. Também existe chance de aumento de erros e incidentes, podendo até elevar o número de mortes no setor. Muitos trabalhadores apresentam quadros de exaustão, perda de concentração, insolação, desidratação renal, elevação da pressão e até hipertermia e distúrbios neurológicos, impactando os serviços. Esse é o efeito do que os médicos chamam de “estresse térmico”.


A saber, entre os anos de 2022 e 2025, houve um aumento expressivo no número de denúncias de condições insalubres relacionadas ao calor no Ministério Público do Trabalho (MPT). Centenas de queixas revelam falta de ventilação, água fresca e pausas adequadas nos locais de trabalho.



Imagem reproduzida de BBC
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Imagem reproduzida de BBC
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Principais grupos vulneráveis na construção


Estudos indicam que os trabalhadores mais vulneráveis às ondas de calor são:


  • Profissionais expostos ao clima ao ar livre;

  • Pessoas com mais de 40 anos;

  • Trabalhadores negros e de minorias étnicas, que historicamente ocupam funções mais expostas e vivem em áreas urbanas que funcionam como “ilhas de calor”.



O que dizem as normas e recomendações oficiais


OMS e MPT reforçam constantemente a mensagem de que o Brasil precisa melhorar sua política pública e empresarial para proteger os trabalhadores expostos às ondas de calor. Também a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) e outros órgãos apoiam a obediência do mercado às normas regulamentadoras que limitam a exposição ao calor. Essas normas estabelecem limites de tolerância que, quando ultrapassados, exigem medidas de controle, como pausas, ventilação, adaptação dos horários e monitoramento médico dos empregados.


Entre as medidas mais eficazes sugeridas destacam-se:


  • Elaboração de protocolos para suspensão temporária de atividades em casos de calor extremo;

  • Realocação das atividades mais pesadas para períodos mais frescos do dia;

  • Oferta de uniformes adequados, leves e de cores claras, que facilitem a transpiração, além de equipamentos de EPI adequados para altas temperaturas, como protetores de nuca;

  • Oferta de água potável fresca e incentivo a pausas frequentes para hidratação;

  • Implementação de áreas de sombra e ventilação nos canteiros; e

  • Capacitação da equipe para o reconhecimento de sintomas de estresse térmico.



Essas ações, embora simples, podem salvar vidas e reduzir significativamente os riscos de afastamento por doenças relacionadas ao calor.


Imagem de David Geneugelijk em Unsplash
Imagem de David Geneugelijk em Unsplash


Caminhos para o futuro da construção civil 


Como dissemos ainda no começo deste texto, ondas de calor não são o fenômeno passageiro: tudo indica que serão cada vez mais frequentes e intensas. Por isso, arquitetos, engenheiros e gestores de obras precisam se preparar para esse novo cenário! De começo, projetar pensando em como podemos reduzir emissões e impactos ambientais. E antes de programar as obras, considerar previsões meteorológicas de longo prazo, além de investimentos em soluções que aumentem a eficiência energética e o conforto térmico nos canteiros.


Os dados não mentem: investir na saúde térmica dos trabalhadores não é apenas uma questão humanitária, mas uma necessidade econômica para segurar o crescimento e a competitividade do setor no futuro!


 Imagem de joffi em Pixabay
 Imagem de joffi em Pixabay


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Fontes:


Imagem de capa:

Imagem de lifeforstock em Freepik


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