Megaempreendimentos em Gramado abrem novas oportunidades para arquitetos gaúchos
- Redação Portal Escala Humana

- 14 de jan.
- 4 min de leitura
Recentemente, foi anunciado que Gramado, na Serra Gaúcha, deve receber a construção de um novo complexo turístico-imobiliário no valor de R$ 1 bilhão, o Sirena Gramado. Essa notícia pode ser muito importante para os arquitetos que atuam no sul do país. Isso porque empreendimentos dessa escala funcionam como um termômetro: eles revelam para onde caminha o mercado imobiliário, quais narrativas urbanas estão sendo valorizadas e, principalmente, quais competências profissionais passam a ser demandadas. Conversamos mais sobre isso neste artigo do Portal Escala Humana. Acompanhe!


Novos empreendimentos como motores de trabalho qualificado
Megaempreendimentos de arquitetura, como o Sirena Gramado, funcionam como verdadeiros ecossistemas de projetos sofisticados. Sua execução ocorre por etapas e envolve uma extensa rede de profissionais incluindo projetistas, gestores de implantação e infraestrutura, especialistas em paisagismo, além de profissionais ligados a serviços complementares, como de saúde, educação, hotelaria, comércio e mobilidade. Na prática, o setor da construção civil, tradicionalmente segmentado em residências unifamiliares, edifícios de médio porte e retrofit comercial, começa a absorver demandas mais complexas, interdisciplinares e de longo prazo. Nesse contexto, os arquitetos deixam de ser apenas criadores de edificações e passam a assumir o papel de estrategistas espaciais. O nível técnico exigido aumenta significativamente — um desafio que é superado facilmente por aqueles que investem constantemente em atualização, conhecimento e posicionamento de mercado.
Um marco histórico para a arquitetura e engenharia gaúcha
É possível que a construção do Sirena Gramado seja um divisor de águas para a arquitetura e engenharia do Rio Grande do Sul. Com mais empreendimentos desse porte sendo realizados no estado, haverá necessidade de mais infraestrutura, até mesmo aeroportuária. Ou seja, o cenário parece fértil para os próximos anos. Tem-se a perspectiva do surgimento de novas centralidades. E nesse contexto, o trabalho dos especialistas será fundamental para garantir que toda essa transformação não se torne um caos urbano, social e ambiental.
Essa é uma chance de a arquitetura gaúcha se renovar e, quem sabe, virar referência contemporânea, valendo-se da sua capacidade de transformar oportunidades em legado.
Efeito em cascata
Os novos empreendimentos idealizados para a Serra Gaúcha vêm sendo concebidos por arquitetos renomados e de forma que os próprios edifícios funcionam também como atrativos turísticos — pode-se dizer que é uma arquitetura para além do Natal Luz. O próprio Sirena Gramado deve ter uma pista de esqui outdoor de 1 km. E ainda há muitas outras soluções para atrair o público que consome natureza, design de alto padrão, equipamentos de lazer especializados, gastronomia e mais.
No futuro, é possível que todo o eixo entre São Paulo e Rio Grande do Sul se torne um destino turístico arquitetônico, atraindo publicações, eventos, congressos e visitas técnicas. Isso levanta um debate sobre o impacto em cidades como Gramado: como poderão se expandir, se conectar e se reinventar diante dessa nova dinâmica?

![[imagem 4] - Imagem divulgação reproduzida de O Sul](https://static.wixstatic.com/media/7faa2c_26458cca45a641d0ac0cb239fd62a7bb~mv2.jpg/v1/fill/w_980,h_568,al_c,q_85,usm_0.66_1.00_0.01,enc_avif,quality_auto/7faa2c_26458cca45a641d0ac0cb239fd62a7bb~mv2.jpg)

Cidade Natureza e a transformação do Rio Grande do Sul
Após as enchentes de 2023 e 2024, o Rio Grande do Sul busca agora uma oportunidade de reconstruir a sua história, resgatando as tradições e inovando rumo ao futuro. Para as cidades da Serra, de herança europeia, o desafio é como dialogar com empreendimentos de escala global sem cair na caricatura, na pasteurização ou na "gentrificação estética". Em contrapartida, é uma oportunidade de sair da zona de conforto do “estilo gramadense” convencional para uma arquitetura contemporânea — preferencialmente respeitando o clima e a cultura, mas utilizando métodos construtivos do século XXI.
Muitos especialistas defendem que se evite a lógica do “resort isolado”, cenográfico, e que se aposte em um desenho que reconheça o relevo, os bosques, os cursos d'água e as estruturas existentes, traduzindo modelos estrangeiros para o contexto local.
O projeto do Sirena Gramado é assinado pelo escritório de Jaime Lerner. Seu masterplan para 205 hectares, planejado para integrar-se ao Parque do Caracol, é ancorado no conceito de Cidade Natureza — que rejeita a ocupação predatória — e contará com pista de esqui (sem neve) outdoor, resort internacional, helipontos, hospital, residências, entre outros equipamentos. A proposta ainda prevê manejo sustentável de águas pluviais e infraestrutura resiliente, colocando o urbanismo técnico em evidência ao respeitar o sítio.


Mensagem final aos arquitetos gaúchos
Podemos concluir que o Rio Grande do Sul chegou a um ponto em que não pode deixar que suas tradições sejam tratadas como um obstáculo para o novo; do contrário, perde-se espaço. Mas se for encarada como base cultural, técnica e simbólica, ela evolui juntamente com tecnologias contemporâneas, sistemas industrializados, novos materiais e soluções ambientais avançadas. Claro que nesse momento de transformação do estado, é fundamental contar com a participação de arquitetos locais nos espaços de decisão.
Mais do que nunca, o mercado sinaliza que há espaço para arquitetos que saibam transitar entre o desenho e a estratégia, entre o local e o global, entre a tradição e a inovação. A diferença é que, a partir de agora, seremos obrigados a falar a língua do place branding, da sustentabilidade certificada e da experiência do usuário (UX) aplicada ao espaço físico. Esteja preparado!
Fontes:
Imagem de capa:
Imagem divulgação reproduzida de CNN Brasil






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