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Concreto com camarão? Estudante gaúcha apresenta inovação pode transformar durabilidade de estruturas costeiras

  • Foto do escritor: Redação Portal Escala Humana
    Redação Portal Escala Humana
  • 3 de jul.
  • 4 min de leitura

Uma pesquisa desenvolvida por uma estudante da Universidade Federal do Rio Grande (Furg), no Rio Grande do Sul, está chamando a atenção de quem trabalha com construção civil em nível global: trata-se de uma solução para concreto sustentável com incorporação, na massa, de um derivado de cascas de camarão. A receita é inovadora e revela uma ampla janela de oportunidades para arquitetos e engenheiros que desejam trabalhar com materiais de elevado desempenho e menor impacto ambiental.



Imagem meramente ilustrativa gerada em IA de Google Gemini
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Uma resposta a dois desafios históricos da construção civil



Júlia Borges Telmo, estudante do curso de Engenharia Civil Costeira e Portuária, foi selecionada para apresentar sua pesquisa na 9.ª edição do Seminário Internacional de Jovens da Associação Latino-Americana de Controle de Qualidade, Patologia e Recuperação da Construção (Sijap), realizado na Cidade do México. Na ocasião, ela destacou como essa era uma chance rara de responder simultaneamente a dois desafios históricos da construção civil: a durabilidade das estruturas e o aproveitamento inteligente de resíduos


De fato, a pesquisa de Júlia revela muito sobre o que pode ser o futuro do concreto sustentável ou de outros biomateriais na arquitetura. 

Em projetos contemporâneos, sobretudo em contextos urbanos agressivos e zonas costeiras, o tema ‘durabilidade’ passou a ocupar papel central. Por exemplo, ninguém deseja estruturas colapsando, falhando precocemente ou exigindo altos custos de manutenção — até porque isso representa significativo desperdício de recursos, aumento da pegada de carbono e redução do ciclo de vida das edificações.


É interessante notar que, hoje, especialistas afirmam que grande parte das patologias observadas em estruturas de concreto armado não nasce de sobrecargas ou falhas dimensionais, mas da degradação progressiva provocada pela entrada de contaminantes, como cloretos e dióxido de carbono. Quando esses agentes penetram no concreto, as armaduras dos elementos (como vigas e pilares) são atingidas, dando início ao processo de corrosão. Em regiões costeiras, esse fenômeno é intenso. É aí que entra a nova solução desenvolvida na Escola de Engenharia da Furg!



 Imagem meramente ilustrativa gerada em IA de Google Gemini
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O novo concreto sustentável com cascas de camarão


A proposta feita através da pesquisa de Júlia Borges Telmo é que se faça uma redução da porosidade dos elementos em concreto armado através do uso de quitina, um polímero natural abundante no exoesqueleto de crustáceos, obtido a partir do processamento do exoesqueleto do camarão. Os testes realizados dentro do Laboratório de Tecnologia Industrial da Furg revelaram que a substância pode atuar como um modificador de matriz no Concreto de Alto Desempenho (CAD). Assim, seria possível controlar, com maior precisão, propriedades como resistência, permeabilidade e comportamento estrutural ao longo do tempo.


Imagem meramente ilustrativa gerada em IA de Google Gemini
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Resumindo, a função da quitina na massa do novo concreto sustentável seria criar uma barreira adicional contra a penetração de agentes agressivos, contribuindo para preservar as armaduras e ampliar a vida útil das estruturas.

Para arquitetos que trabalham em regiões como Rio Grande, expostas à maresia, poluição ou umidade constante, essa inovação representa a possibilidade de um aumento expressivo no desempenho das estruturas. Mais do que isso, permite ampliar o horizonte de especificação de edifícios com menores demandas futuras de manutenção, reduzir intervenções corretivas e reforçar estratégias de longevidade do ambiente construído.



Economia circular e sustentabilidade aplicadas ao canteiro de obras


Já pensou em “selar” estruturas de concreto com resíduos descartáveis?


O uso de materiais naturais na construção civil já não é novidade. A proposta de um concreto sustentável é interpretada como uma esperança de maior eficiência. Mas o diferencial da pesquisa de Júlia é, também, dar um destino nobre ao acúmulo de resíduos da cadeia pesqueira. Em vez de as cascas de camarão se tornarem um passivo ambiental, apodrecendo em aterros ou sendo descartadas de forma inadequada, elas podem ser transformadas em um componente tecnológico capaz de conferir propriedades mecânicas superiores às edificações.



É a arquitetura dialogando com o ciclo biológico da região!



Imagem meramente ilustrativa gerada em IA de Google Gemini
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Um recado importante para a próxima geração da construção


Quem diria que o futuro da arquitetura poderia estar escondido nos resíduos que ignoramos todos os dias? A colaboração interdisciplinar com a engenharia é o combustível para a evolução constante de nosso ambiente construído. Um dia, poderemos ver esse concreto sustentável pesquisado na Furg sendo utilizado em pontes, píeres e edifícios à beira-mar. O reconhecimento internacional confirma que essa investigação tem um longo caminho acadêmico pela frente.


Durante muito tempo, os cientistas se perguntaram como produzir um material de alta resistência, acelerar a cura ou otimizar o consumo de cimento. Hoje, o questionamento é: como produzir melhor, por mais tempo e com menos desperdício?

Eventos ligados à patologia das construções e ao controle tecnológico devem continuar a dominar a rotina dos pesquisadores. Porém, agora vemos uma participação feminina crescente nessas investigações.


A história contada neste artigo do Portal Escala Humana deve ser considerada um exemplo de resiliência e perseverança para todas as mulheres que trabalham arduamente para encontrar seu lugar em um mercado historicamente marcado pelo domínio masculino. É um momento de mudança de paradigmas que devemos celebrar e incentivar!



Fontes:


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Imagem meramente ilustrativa gerada em IA de Google Gemini


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