COP30: Quais debates de urbanismo são urgentes para salvar nossas cidades do colapso climático?
- Redação Portal Escala Humana

- 24 de set. de 2025
- 5 min de leitura
Atualizado: 29 de set. de 2025
A Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2025 se aproxima. A COP30 será realizada entre os dias 10 e 21 de novembro em Belém, no Pará, e pode ser um grande marco na história do urbanismo. Na ocasião, os arquitetos devem colocar as cidades no centro dos debates sobre as mudanças climáticas. Isso porque elas respondem hoje por 75% das emissões de gases de efeito estufa (GEE) e por 70% do consumo de energia global. Diante desse cenário, torna-se urgente encontrar soluções capazes de transformar os centros urbanos e mitigar os impactos da crise.
Existem hoje no Brasil 5.569 municípios, com desafios como grandes desigualdades sociais, a ausência de saneamento adequado e a vulnerabilidade crescente da população. A expectativa é de que a conferência conecte lideranças globais a prefeitos, atraia investimentos verdes e fortaleça a mensagem de que os arquitetos têm um papel estratégico no planejamento e construção de cidades mais resilientes, inclusivas e ambientalmente responsáveis.

Por que as cidades são a chave para a crise climática
O papel central das cidades na crise climática é inegável para os cientistas. Da mesma forma que emitem grandes quantidades de gases poluentes, sofrem as consequências. Infelizmente, a crise climática se manifesta de forma direta em eventos como enchentes, ondas de calor, falta de água e colapso de serviços públicos.
Essa reflexão nos leva a colocar toda a responsabilidade do combate aos problemas nas mãos dos gestores municipais. Claro que são eles que controlam os investimentos públicos e a condução das políticas públicas. Porém, o ideal é que as diretrizes para o plano de desenvolvimento urbano, uso do solo, construção de infraestruturas e gestão de recursos naturais sejam traçadas por cientistas, arquitetos, engenheiros, ambientalistas e outros especialistas.

O que deve entrar na pauta de urbanismo da COP30
Enquanto os líderes políticos estiverem discutindo metas macros, arquitetos e engenheiros poderão discutir na COP30 com os prefeitos e gestores municipais sobre enchentes, ilhas de calor, colapso no saneamento, falta de água e mais. Adicionalmente, diversas discussões específicas e aprofundadas sobre urbanismo serão contempladas:

1. Planos de ação climática e governança local
A geração de mecanismos para orientação de investimentos em adaptação e mitigação nas cidades, a exemplo de um Plano de Mudança Climática (PMC) ou um orçamento climático. Isso ajudaria os municípios mais vulneráveis a se manterem preparados para enfrentar situações de enchentes, secas e ondas de calor.
2. Mobilidade sustentável e transporte de baixa emissão
O transporte urbano é um dos maiores emissores de gases poluentes. Uma solução viável apresentada pela arquitetura são os planos urbanos que privilegiam o uso de transporte coletivo, bicicletas, intermodais, sistemas de transporte para mobilidade e frotas eletrificadas, além da criação de zonas de emissão zero e corredores de transporte limpo. Como objetivo principal, estaria reduzir congestionamentos e melhorar a qualidade de vida urbana.
3. Gestão de resíduos e economia circular
A COP30 deve apresentar alternativas para o modelo linear de produção e descarte de materiais. Resíduos, como de compostagem, devem ser tratados como oportunidades para logística reversa, reciclagem e programas de economia circular. Uma proposta inovadora é a utilização de gamificação ou ludificação de tarefas para estimular a coleta seletiva.
4. Soluções baseadas na natureza
A Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas é uma excelente vitrine para iniciativas inspiradoras sobre preservação da biodiversidade. Espera-se que na COP30 os arquitetos lembrem os políticos de que as cidades não podem ser vistas apenas como concreto e asfalto.
Jardins de chuva, áreas permeáveis, telhados verdes, parques lineares e reflorestamento urbano são soluções que reduzem enchentes, diminuem ilhas de calor e aumentam o bem-estar da população. Além disso, preservam a biodiversidade e protegem recursos hídricos.
5. Habitação, justiça climática e inclusão social
Os municípios brasileiros não são, em geral, resilientes e carecem demais de justiça territorial. Milhares de famílias vivem em áreas de risco, sem saneamento ou moradia adequada, o que as torna as mais atingidas por desastres naturais. A conferência precisa reforçar a importância da criação de planos de reassentamentos, inclusão social e acesso igualitário ao direito à cidade.
6. Eficiência energética e energias renováveis
A COP30 pode fomentar bons acordos e programas de financiamento para projetos de arquitetura com eficiência energética, incluindo prédios públicos e privados com fontes renováveis, como solar e eólica. Modelos assim têm grande potencial de reduzir as emissões nas cidades e fortalecer sua transição energética.
7. Integração entre governos e sociedade civil
Por fim, vale citar o compromisso que o mundo deve firmar para o Federalismo Climático. Essa proposta foi lançada já em 2024, apontando caminhos para alinhar planos locais às metas nacionais e internacionais, além de simplificar o acesso das cidades aos financiamentos climáticos. Afinal, os municípios não precisam - e nem devem - tratar os problemas climáticos sozinhos. Devemos trabalhar em cooperação para enfrentar nossos desafios!
Exemplos brasileiros que inspiram
São exemplos de cidades brasileiras com modelos urbanos mais sustentáveis e resilientes:
Recife/PE: primeira capital a reconhecer a emergência climática, desenvolvendo políticas focadas nas comunidades mais vulneráveis.
Curitiba: referência em transporte coletivo e preservação de áreas verdes, agora ampliando suas metas ambientais.
Niterói/RJ: com o programa Carbono Zero, investe em mobilidade sustentável e reflorestamento urbano.
Pedra Branca do Amapari/AP: aposta em compostagem comunitária para reduzir resíduos e fortalecer a sustentabilidade local.
Itapecuru-Mirim/MA: atualiza seu plano diretor com foco em mitigação e adaptação climática.
Benevides/PA: criou a plataforma Benevides Recicla, que une economia circular e engajamento social.
Um chamado para repensar o futuro das cidades
A COP30 em Belém pode ser uma excelente oportunidade para os municípios brasileiros consolidarem mecanismos colaborativos, expandirem seu acesso a tecnologias e financiamentos, estimular diálogo com diversos setores da sociedade e promover governança que integre ações locais e políticas nacionais. É o momento de repensar o futuro - possível - das cidades!
O Brasil tem tudo para ser referência para o mundo, como laboratório de soluções de arquitetura para o clima.
O que for decidido em Belém poderá orientar o futuro do desenvolvimento urbano no Brasil nos próximos anos. Por isso, entidades como o Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Brasil (CAU/BR) acompanham de perto os debates, para evitar que o evento se torne apenas vitrine de marketing urbano. Portanto, seguiremos atentos!

Fontes:
📸 Imagem de capa:
Imagem de Cayambe em Wikipédia - https://pt.wikipedia.org/wiki/Confer%C3%AAncia_das_Na%C3%A7%C3%B5es_Unidas_sobre_as_Mudan%C3%A7as_Clim%C3%A1ticas_de_2025#/media/Ficheiro:LogoCOP30.png





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