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Atenção para a
Relação Pessoa – Ambiente (RPA)

A arquitetura como mediadora entre o mundo interior e o mundo exterior

Hellen Zanoletti Firmino

Arquiteta e Urbanista

O ser humano planeja e constrói seus ambientes, de modo a favorecer suas necessidades vivenciais e e sociais. De forma que tais ambientes, influenciam as pessoas em seu comportamento. Porém na cultura ocidental, é costume ter a visão direcionada para a objetividade racional. Tudo é explicado e justificado pelas necessidades materiais, colocando em segundo plano aspirações como sentimento, emoção e afetividade em relação ao meio ambiente, ou seja, a tênue ligação com o sentido de lugar - o qual influencia diretamente o comportamento humano.


Logo, se entende que a criação do espaço arquitetônico deve se preocupar com o usuário, com sua percepção e sua maneira de ver e sentir. Onde o espaço, ou ambiente construído deveria favorecer o comportamento harmonioso do indivíduo, para além de atender as suas necessidades básicas. A partir disso interessa-nos desvendar a psicologia ambiental para criar um ambiente perceptivo ao indivíduo que vislumbra seu desenvolvimento adequado, já que esta disciplina trata das relações entre o comportamento humano e o ambiente físico, aquele que rodeia uma pessoa, mas com um significado limitado por ela atribuídos pelos dois universos que a circundam: um exterior, em constante adaptação ao meio, e outro interior, onde o subjetivo motiva e exteriora em ações como resposta à interpretação da realidade.


Por este motivo, é relevante os arquitetos desenvolverem o desejo de atender à permanente necessidade do indivíduo, suas aspirações, percepções, considerando a interação afetiva com o meio ambiente, o crescimento pessoal, a harmonia do relacionamento social, e acima de tudo, a qualidade de vida. Criando assim, uma obra que expresse o mundo interior do usuário, incluindo o sujeito psicológico, o sentido afetivo, o sentimento e a emoção, além dos aspectos utilitários e estéticos.


A meu ver, arquitetura ultrapassa a materialidade. É um meio de favorecer e desenvolver o equilíbrio, a harmonia e a evolução do ser, atendendo suas aspirações, instigando as emoções de se sentir vivo, desenvolvendo nele um sentido e um simbolismo. Os quais definem no usuário, um comportamento e uma resposta psicológica.


Justamente por se observar que alguns aspectos dos indivíduos devem ser levados em consideração na relação pessoa-ambiente, pois podem modificar a natureza da influência que o ambiente exerce sobre seus comportamentos, os estudos relativos ao contexto ambiental passaram a ser interpretados como uma interrelação, ou seja, o ambiente influencia o comportamento, e este por sua vez, também leva a uma mudança no ambiente.


A psicologia ambiental (conhecimento sobre esta interrelação) envolve estudos de percepção (como o indivíduo percebe o ambiente), de cognição (como a mente do indivíduo absorve e estrutura as informações recebidas dos ambientes), do comportamento (como o indivíduo compreende, reage e modifica o meio ambiente), ou seja, indica como este processo influencia o comportamento humano. Em outras palavras, é a psicologia ambiental que faz a junção e analisa a transação da experiência e ações humanas com aspectos pertinentes do ambiente social e físico. Desta forma, a contribuição está acerca de alguns questionamentos que devem ser feitos ao indivíduo, com ênfase em relação ao seu contexto, que o arquiteto deve considerar para compreender os caminhos que este relacionamento aponta, bem como o que poderia ser acrescentado ao projeto, para aumentar suas consequências construtivas e diminuir as destrutivas, objetivando o papel que o ambiente desempenha na vida dos indivíduos, o significado, a experiência e a ação humana.

A missão da arquitetura é criar espaços sensíveis e estimulantes, que favoreçam o desenvolvimento da existência humana. E ainda, segundo Norberg-Schulz (1975), em seu livro: Existência, Espacio Y Architectura - o espaço arquitetônico, pode definir-se como uma “concretização” do espaço existencial do homem.

Já para Tuan (1983) no livro Espaço e Lugar - o espaço existencial é um conceito psicológico que denota esquemas que o indivíduo envolve, sendo estruturas psíquicas, o sujeito afetivo.

Sendo assim, o sentido afetivo no sujeito é o que dá sentido à vida, através das relações entre nós e os ambientes que interagimos. Sem dúvida o mais importante nas escolhas, conscientes ou inconscientes, do comportamento humano.

Além de compreender o sujeito através de suas características e anseios, é preciso vê-lo também como pessoa psicológica, nas várias dimensões, através das quais ele estabelece um contato com a realidade ambiental e social. Pois, o sujeito afetivo, incorpora todos aqueles sentimentos e emoções que oferecem o sentido das ligações emocionais com as pessoas e com os locais de permanência no espaço existencial.

A avaliação das dimensões psicológicas, na investigação dos usuários que antecede a criação do projeto nos dará o sentido afetivo para ele. São o peso e o anseio da ligação do indivíduo com o ambiente, que o fazem pertencer, sem o qual a nossa existência não se justificaria.

Desta forma, ao considerar as sensibilidades impressa nos indivíduos, podemos dizer que a arquitetura que não emociona, que não toca os sentimentos da pessoa, torna-se uma obra esquecível, indiferente ao usuário. Falta-lhe emoção. E toda experiência está voltada para emoção.

Bem como Freud observou, os indivíduos não conseguem lembrar-se de uma experiência passada dissociada de seu pano de fundo emocional. Com isso, é inevitável a captura das sensibilidades para alcançar o êxito e o valor na experiência entre os indivíduos e os ambientes construídos.

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Hellen Zanoletti Firmino

(CAU 37122-0)

Mestra em Arquitetura pela UFPel em 2024
Pesquisadora da Relação Pessoa – Ambiente, mais especificamente do fenômeno da apropriação do espaço a partir da percepção ambiental e avaliação pós – ocupação.
Idealizadora e curadora de conteúdo da Casa de Raiz®️ - [ Habitar Original – Consciente e Conectivo]
Autora do livro Casa para ser Feliz em 2022 – cujo título aborda a arquitetura que olha para o genuíno, essencial e profundo e se coloca como ferramenta de fortalecimento dos vínculos, devolvendo ao lar a função de raiz, conceituada como ARQUITETURA DE IMPORTÂNCIA.

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