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O que leões, leoas, médicos e loucos têm
em comum com a sua casa?

Uma reflexão apaixonada sobre arquitetura, lar e o
verdadeiro sentido de se sentir “em casa”.

Eu fui convidado a escrever um texto para o portal neste mês de agosto. Segundo aqueles que nasceram no século passado, tipo eu, agosto é o mês do cachorro doido e aprendemos a dizer que de médico e louco todos temos um pouco. É o mês astrológico dos leoninos e o mês consagrado à amamentação, pelos órgãos de saúde. Bem, de médico eu não tenho nada, obvio que eu nunca amamentei, mas de louco, todo arquiteto tem um pouco e, afinal, eu tenho que puxar a brasa para uma sardinha que eu conheço, não é?


Arquitetura é um dos meus assuntos preferidos e este tema tem uma afinidade muito grande com a forma de como esse texto começou. Parodiando o mês, nascemos por causa de uma leoa. Uma leoa que conquistou o seu leão e, convenhamos, as leoas sabem como fazer isso! A minha, e a tua mãe, enfrentaram muitas coisas para que, hoje, pudéssemos ler este texto. A mãe sorriu, chorou, sofreu, acalentou e embalou, amamentou e, depois de tudo, nos defendeu. Uma mulher de verdade e uma leoa que, mesmo sem saber, muitas vezes sabendo, procurou, com tudo isso, nos dar um lar.


Ela, e muitas vezes com ou sem o seu leão, percebeu que precisava de um espaço adequado para acolher sua família e do que precisava para mantê-la aquecida, abrigada e feliz! Lembrou do que era importante para garantir o ambiente adequado para o momento de estudo e alimentação e também daquele necessário para rir e brincar. A leoa, e a mãe, o leão e o pai, não sabiam ou não fizeram essa associação direta, mas estavam pensando, também, em termos arquitetônicos!
Como arquitetos, esses os são conceitos nos quais também pensamos. Cada um de nós tem mais ou menos significados para a palavra casa. Qual é o seu? O que significa ter-construir-fazer-criar-reformar uma casa? A sua e a minha e a nossa casa? A casa da mãe, da leoa e da mulher que amamenta? A casa do médico achamos que é sempre organizada, a do louco talvez bagunçada, a do leão é um domínio e a da leoa um espaço de convivência. Mas todas tem em comum um conceito maior, a casa representa o nosso desejo de estar bem.


Mas o que é importante, é essencial ou funcional? E agora vem a sardinha porque nós, arquitetos, somos a brasa que fará essa sardinha ser ou não bem assada, ter aquele aroma de um dia de verão com as pessoas que queremos bem ou, é claro, o cheiro de queimado do dia anterior. Ser arquiteto é poder participar de um processo tão íntimo e intenso que interfere na vida de cada um de nossos clientes, sejam leões, leoas, cachorros doidos ou médicos e loucos, na procura do seu bem maior, seu carinho, sua segurança e por aquele espaço em que entram, sentam confortáveis e pensam: é o meu canto, estou feliz!


Nós, arquitetos e profissionais que trabalham nessa área, podemos ajudar a mãe, a leoa, o tal médico e o louco, para usar os personagens sobre os quais comentei acima, a concretizarem esse objetivo. Porque eu, eles e vocês somos coprotagonistas neste projeto de vida! A primeira mão que move o berço nessa história toda é a mão da mãe, enquanto ainda sequer nascemos. É o nosso primeiro carinho e, a seguir, choramos, crescemos e construímos. Então, nós, profissionais de arquitetura, somos os arquitetos da construção ou da reconstrução, somos o pai e o irmão, o amigo e o cúmplice, o chefe e o parceiro, o médico e o louco que estão sempre próximos dessa mãe e dessa história toda.


Eu não preciso mencionar sobre a necessidade de analisar a posição solar ou sobre a importância de ventilação dos ambientes, porque isso é um dos assuntos mais básicos da nossa área. Vamos falar de conforto, de adequação dos ambientes em relação às necessidades do nosso cliente e, em especial, vamos falar sobre como conciliar o desejo deles com o espaço disponível? Eu acho que este é um dos grandes segredos da nossa área, ou da nossa experiencia, como profissionais. Saber ouvir, saber interpretar e saber adequar, sem impor conceitos que são nossos, pessoais,
no espaço do nosso cliente. Nós devemos orientar, sob o ponto de vista técnico, para a melhor solução ao problema que eles nos apresentam. Óbvio, e muito importante, essas soluções precisam ser sugeridas quando sabemos como executá-las, ou quando temos parceiros que possam viabilizar o problema da melhor forma possível. Confiança e credibilidade, neste caso, são fundamentais no nosso relacionamento com o cliente, ainda mais hoje em dia, com tantos ataques nas redes sociais por pessoas que, talvez, por terem tido uma experiência pouco positiva, ou pelo fato de sequer terem lido um contrato, resolvem julgar toda uma classe em troca de likes e coraçõezinhos virtuais.


Por isso tudo, devemos conversar e muito com o nosso cliente, e ouvir mais do que falar e devemos, outra vez, ouvi-los. O cliente não utiliza as mesas referências que nós, não tem os mesmos argumentos e, muito menos, a mesma visão espacial que nós aprendemos a ter. E eu confesso, eu acho muito bom que seja assim porque isso só dignifica e valoriza o nosso envolvimento. Nós precisamos saber demonstrar nossos conhecimentos e a nossa técnica, mas em especial, precisamos fazer com que o cliente perceba essa solução da mesma forma que nós a visualizamos. E, novamente por isso tudo, nós precisamos ser objetivos, precisamos saber explanar ou exemplificar as soluções que sugerimos e usar uma linguagem que este cliente compreenda, que abrace e que perceba ser a melhor solução para ele. O tal sentido de “estar em casa”, lembram? O olho brilhando e o sorriso no canto da boca, mesmo que eles não digam muitos obrigados eufóricos, é uma grande satisfação. Dizem que é melhor do que Mastercard, mas cada um de nós tem a sua bandeira preferida. Também dizem que American Express sem limites é muito bom!


Enfim, eu me empolgo falando de Arquitetura e, agora que começamos a falar de casa, seja você leão ou leoa, pai ou mãe, médico ou louco, deixe uma mensagem abaixo e me diga, em uma palavra, o que “casa” significa para você e nós próximos textos conversaremos sobre esses significados. O que vocês acham?


Conto com vocês!

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Carlos Lemos
Arquiteto e Urbanista

Carlos Lemos

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O escritório Carlos Lemos Arquitetura concentra seu foco em criar espaços residenciais únicos, desde a escolha do terreno até o desenvolvimento do projeto de arquitetura completo, acompanhando o cliente em todas as etapas, garantindo que cada detalhe seja funcional, esteticamente belo e alinhado ao planejamento e investimento previsto. No portfólio do escritório, gerenciamento de alguns dos empreendimentos mais conhecidos de Porto Alegre, como os projetos do Moinhos Shopping e Hotel, e dos restaurantes Gokan, Gapei e Daimu.

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(CAU A15200-5)

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